Liderar é um desafio diário no mundo corporativo. Quando se trata da liderança em ambientes de trabalho predominantemente masculinos, alguns obstáculos ainda se apresentam de forma recorrente para as mulheres.
É visível a evolução da sociedade no mundo do trabalho em relação à presença feminina nos mais diversos cargos. Hoje encontramos mulheres bem-sucedidas liderando equipes em grandes companhias e desempenhando funções que, há pouco tempo, eram exercidas apenas por homens.
Conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres ocupam cerca de 30% dos cargos de liderança no mundo. De acordo com a Grant Thornton (Women in Business Report 2024), 32% dos cargos de alta gestão são ocupados por mulheres globalmente — o maior índice já registrado, mas ainda distante da paridade.
No Brasil, o índice é um pouco maior. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres representam aproximadamente 39% dos cargos gerenciais, embora sejam maioria entre as pessoas com ensino superior. Esses dados demonstram que ainda há um longo caminho a percorrer para que haja maior equilíbrio na ocupação de posições de liderança.
Ao longo da minha carreira, atuei em diversos ambientes e, com exceção das escolas e universidades, sempre estive em contextos predominantemente masculinos. Na prática, nós, mulheres, somos desafiadas em diferentes aspectos: da competência intelectual e técnica à capacidade de liderança; do relacionamento interpessoal à constante comprovação de resultados. Mais do que isso, o espaço ocupado muitas vezes exige conquista diária, atenção redobrada e posicionamento seguro para afirmar nosso valor.
Vale ressaltar também que alguns direitos concedidos às mulheres, como a licença-maternidade, são legítimos e necessários, considerando particularidades próprias do universo feminino.
Atualmente, lidero uma equipe formada majoritariamente por mulheres jovens e, na empresa em que atuo, somos maioria no quadro geral. Na gestão, cerca de 80% dos líderes são homens, jovens e comprometidos com suas equipes. Eles valorizam o trabalho coletivo e respeitam as relações interpessoais em todos os espaços da empresa, o que demonstra maturidade organizacional e respeito entre profissionais.
Tenho orgulho de exercer a liderança hoje em um ambiente livre de preconceitos relacionados ao gênero. No entanto, já vivenciei em outras organizações experiências negativas ligadas à atuação feminina, enfrentando situações de preconceito e desrespeito. Essas vivências comprovam que o mercado de trabalho ainda reflete, em alguns contextos, comportamentos inadequados.
As próprias experiências, tanto as positivas quanto as negativas, nos fortalecem pessoal e profissionalmente. Por isso, independente da posição ocupada, seja na liderança ou não, é fundamental que se reforce o nosso posicionamento, nossas ideias e que todo e qualquer tipo de abuso e preconceito seja repugnado e denunciado. O respeito ultrapassa gerações e nós, mulheres, devemos seguir unidas lutando por ele no trabalho e em todos os lugares que frequentamos e vivemos.
Mulheres continuam sendo desafiadas. Mas é justamente nesses desafios que encontramos uma causa coletiva que nos motiva a afirmar nossa essência e conquistar cada vez mais espaço em todos os ambientes. Se existem desafios, seguimos preparadas para enfrentá-los e continuar escrevendo nossa própria história.
Artigo assinado por Aline de Mattos – Publicitária e Head de Marketing na Denteck Climatização.